Por que falar de território num site de nutrição?
A nutrição clínica, como ela é ensinada hoje, trata a comida como genérica. "Carboidrato", "proteína", "fibra". Dois pratos com os mesmos macros são considerados equivalentes — não importa se um veio do supermercado refrigerado e outro da feira da esquina.
Mas eles não são equivalentes.
A comida é lugar, cultura, história, mãos. O tomate da feira do sítio carrega um ecossistema. O tomate da bandejinha plástica carrega outro. As pessoas que cultivam, distribuem, vendem e cozinham — são parte da nutrição também.
Dessa biodiversidade começa a surgir uma relação com a comida que vale a pena.
— do meu TEDx, 11:14
O Brasil é o país com maior biodiversidade alimentar do mundo
E você provavelmente conhece menos de 5% dela.
Tem milho vermelho no cerrado. Jambo rosa em quintal. Dendê que faz moqueca real. Tucumã que cabe na sua mão (e é o tamanho de uma pera). Mandioca com tantas variedades que cada região tem sua tapioca diferente. Pequi, buriti, araticum, umbu, maxixe, cará-do-ar.
A gente come trigo industrializado e chama de pão. Reduziu a riqueza a uniformidade.
Vida móvel — o que é isso?
Em 2021, vendi parte significativa do apartamento em Ribeirão Preto e comecei a viver "móvel" — sem endereço fixo, viajando pelo Brasil com o Pedro (meu companheiro), trabalhando online, parando onde fizesse sentido.
Foi uma escolha conjunta. E uma escola alimentar.
Em três anos, percorri biomas que só conhecia em livro. Vi como se faz tapioca em Mossoró. Aprendi que arroz com feijão muda de jeito em cada região — e nenhum jeito é "errado".
Vila Paraíso
Vila Paraíso é o campo vivo dessa pesquisa. Um espaço onde alimentação, biodiversidade e território se encontram na prática — não no conceito.
Aqui é onde:
- A comida vem de muito perto (e quando não vem, a gente conta a história de onde veio)
- A roça e a cozinha conversam
- Pessoas comem juntas, lentamente
- Receitas locais se honram em vez de "modernizar"
- A escuta do corpo se encontra com a escuta da terra
Não é um produto turístico. Não é "retiro de wellness". Não tem agenda regular. É uma extensão do meu trabalho clínico — em escala territorial.
O que isso muda no consultório
1 · Cardápio sem cardápio
Em vez de listar "verduras × leguminosas × cereais", conversamos sobre o que está em safra na sua região.
2 · Resgatar a comida da família
Receita da avó muitas vezes é mais nutritiva do que o "saudável" do nutri. A história alimentar de cada pessoa importa.
3 · Honrar feiras e mercados locais
Comprar do produtor não é só "consumo consciente". É acesso a alimentos mais frescos, com mais sabor.
4 · Sazonalidade
Comer o que está disponível agora alinha o corpo ao ciclo do ambiente. Mais barato, mais gostoso, com efeito real na saciedade.
Onde isso se encaixa — Slow Food e movimentos
Sou membro da comunidade Slow Food Brasil Educação. O Slow Food é um movimento internacional fundado em 1986 que propõe comida boa, limpa e justa para todas.
Pratique a conexão com a natureza
Prática Guiada para Se Sentir Conectada com a Natureza · 6 min · ⭐ 4.7 · Acessar no Insight Timer
Perguntas frequentes
Posso fazer consulta mesmo morando longe?
Sim. Atendo 100% online pra todo o Brasil (e brasileiras no exterior). A questão territorial não exige que você esteja perto da Vila — é uma lente clínica, não localização física.
Tem retiro / vivência aberta na Vila?
Eventualmente. Não é evento regular. Quando há, anuncio na newsletter Farejar.
Você dá curso sobre biodiversidade alimentar?
Houve o curso Comer Contextual em 2023 que tocava no tema. Há intenção de reabrir. Inscreva-se na newsletter pra ser avisada.
Por que esse foco em comida brasileira?
Porque a maior parte da literatura de nutrição que usamos no Brasil é traduzida de fontes norte-americanas — que falam de quinoa, kale, chia. Brasil tem coisa mais nutritiva, mais barata, mais local, e ninguém ensina. Resgatar é parte do trabalho.
Aprofundamento
- Comer contextual — quando o ambiente entra na escolha alimentar
- Comer consciente
- Newsletter Farejar — onde divulgo viagens e experiências