Quando eu estava no quinto ano da faculdade de nutrição, pensava muito sobre o que eu deveria ou não deveria comer. E sobre como resistir o máximo de tempo possível à padaria e ao chocolate.
Como você pode imaginar — todas as minhas dietas falharam.
Voltei dos sete meses de intercâmbio em Portugal com 15 quilos a mais e um sofrimento grande na relação com a comida e com o corpo. O que eu tinha aprendido na faculdade não era suficiente pra cuidar de mim. Como eu cuidaria de alguém no consultório?
Foi quando, em uma aula optativa do mestrado, encontrei algo diferente: cuidar do relacionamento com a comida e com o corpo. Em inglês se chama mindful eating. Aqui, comer consciente.
Eu me agarrei naquilo como quem agarra uma boia.
Eu não quis ser emagrecedora de gente.
Era o que parecia esperado: a nutricionista é aquela que cobra o prato, fala o que pode e o que não pode, monitora o peso, prescreve restrição.
Mas a comida não é só uma soma de nutrientes. E o seu corpo não é uma massinha de modelar pra fazer o que a gente bem entender dele.
Em 2016 comecei a atender com a abordagem AntiDieta — termo que adotei intencionalmente, mesmo que cause estranheza no começo. Não é "antialimentação" e nem oposição à ciência. É o oposto da cultura da dieta: aquela que transforma comida em culpa e corpo em projeto.
→ Conheça como funciona o acompanhamento.
Onde a prática se sustenta — os 3 protocolos formais
A prática AntiDieta não é improviso. É ancorada em três protocolos formais de mindful eating, todos com base científica:
- I
MB-EAT
Jean Kristeller · Indiana State University. O protocolo com mais evidência científica em mindful eating.
Instrutora certificada.
- II
MBES
Lynn Rossy · University of Missouri. Combina MBSR + mindful eating + yoga + autocompaixão. Fórmula prática: BASICS.
Instrutora certificada e supervisora autorizada.
- III
ME-CL
Jan Chozen Bays + Char Wilkins. Linhagem contemplativa zen. Conceito-âncora: as 9 fomes.
Linhagem direta via CBME (cofundei).
→ Saiba mais em comer consciente e as 9 fomes.
Trajetória acadêmica
- Graduação em Nutrição e Metabolismo — Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto · FMRP-USP
- Mestrado em Ciências Médicas — FMRP-USP (área: obesidade, chá verde, genômica nutricional)
- Formação Profissional em Mindfulness — UNIFESP
- Módulo 1 — Mindfulness Trainings Internacional
- Sete meses de intercâmbio em Portugal (Universidade do Porto)
Pesquisa, instituições, palestras
- Autora de 18 publicações científicas (17 indexadas no PubMed) entre 2014 e 2025. Primeira autora do estudo sobre Green Tea e UCP3 em obesidade (Int J Food Sci Nutr, 2018). Coautora de RCT multicêntrico em Nutrients (2024) e meta-análise em Curr Diabetes Rev (2021). → lista completa.
- Cofundadora e ex-diretora do Centro Brasileiro de Mindful Eating (CBME).
- Supervisora autorizada do protocolo MBES (Lynn Rossy).
- Membro profissional do The Center for Mindful Eating (TCME) — instituição-mãe internacional.
- Membro do Centro de Mindfulness e Terapias Integrativas — USP Ribeirão Preto.
- Palestrante TEDxIndaiatuba (2025) — Mindful Eating: Uma Nova Relação com a Comida.
- Professora no Insight Timer (desde 2020) e no Comer Compassivo.
O que tenho escrito
- Contos de Mindfulness e Mindful Eating (2021) — 12 contos com práticas · disponível em Amazon Kindle e gratuito em biblioteca
- Querida Cultura da Dieta (2023) — apostila com manifesto antidieta · gratuita em biblioteca
- Farejar — newsletter no Substack desde 2023 · quase 100 textos · 5.900+ assinantes
Comida, corpo e território
Nos últimos três anos venho vivendo móvel pelo Brasil, mapeando biomas e feiras livres. Visitei o cerrado, o Nordeste, a Amazônia. Conheci dendê, milho vermelho, tucumã, jambo rosa.
Essa pesquisa territorial alimenta a prática clínica — e vice-versa. A biodiversidade alimentar brasileira é, pra mim, parte do cuidado. Além do consultório, desenvolvo experiências de alimentação e território no Vila Paraíso.
→ Saiba mais em comida, corpo e território.
Se essa forma de cuidado faz sentido para você, agende uma consulta.